terça-feira, 28 de agosto de 2012

O maior evento geocientífico do planeta


Foi realizado até o dia 10 de agosto, em Brisbane, Austrália, a 34ª edição do Congresso Internacional de Geologia, maior evento geocientífico do planeta, que conta com o apoio da União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS), da Unesco e de dezenas de instituições da área distribuídas por todo o mundo.
Criado em 1879, o IGC- International Geological Congress, como é conhecido, é também o mais antigo evento das geociências, precedendo à criação da própria IUGS, já tendo sido realizado em todos os continentes, em média a cada quatro anos, inclusive na cidade do Rio de Janeiro, no ano 2000, pela primeira vez na América do Sul, graças, em grande parte, ao prestígio internacional do professor Umberto Cordani, da USP, que havia sido presidente da IUGS.
O IGC do Rio de Janeiro trouxe prestígio ao Brasil no campo do conhecimento geológico do País e do continente sul-americano, na medida em que foi organizado na forma de consórcio com todos os países da região, que contribuíram não só com o evento diretamente, através da realização de Simpósios Gerais e Específicos, Conferências, Mesas-Redondas, Cursos, como na elaboração do livro "Tectonic Evolution of South America", editado por Cordani, Edison Milani, Antonio Thomaz Filho e Diógenes de Almeida Campos. Essa obra, dedicada a um dos pilares de Geologia brasileira - Fernando Flávio Marques de Almeida - é, até hoje, referência na geologia/geotectônica da América do Sul.
O Congresso do Rio não foi o maior de todos, mas foi o pioneiro na utilização da internet e um dos primeiros no uso de cartões de crédito para as inscrições, tendo atraído cerca de 4.500 participantes de todo o mundo, entre geólogos, engenheiros de minas, e estudantes que contaram com o apoio do Programa Geohost, dedicado a jovens geólogos.
A Austrália volta a sediar o IGC após 36 anos (1976 - Sidney) e oferecerá, além do moderno Centro de Convenções de Brisbane e a magnífica hospitalidade dessa cidade, um Programa Científico baseado em 37 temas sob o Tema Geral do Congresso -Unearthig our Past and Future - Resourcing Tomorrow - distribuídos em Sessões Plenárias, Simpósios, Workshops, Cursos de Curta Duração e Excursões (pré, durante e pós Congresso). Como sempre acontece nos IGCs, Associações e Sociedades geocientíficas internacionais farão suas reuniões em dias específicos e, entre os 37 temas abrangidos nas apresentações/discussões, destacam-se: Geoscience for Society, Climate Change: Lessons from the Past; Implications for the Future, Geoscinece Benefiting Low Income Countries, Environmental Geoscience, Energy in a Carbon Constrained World, A Dynamic Earth, Evolution of the Biosphere, Groundwater/Hydrogeology, Geohazards, além dos temas geológicos clássicos, como Bacias Sedimentares, Depósitos Minerais, Geologia de Períodos Geológicos Diversos, Petróleo e Bacias Sedimentares etc.
Essa tendência em promover discussões sobre os problemas que mais afetam diretamente a sociedade, iniciada no Congresso do Rio de 2000, quando foi lançada a ideia de se apresentar à ONU a proposta de proclamação de um Ano Internacional do Planeta Terra (aprovado para o triênio 2007-2009, com ênfase em 2008), foi sendo consolidada nos IGCs de 2004 (Florença, Itália) e 2008 (Oslo, Noruega) e deverá se fortalecer nos próximos Congressos Internacionais de Geologia, demonstrando que a geodiversidade é tão importante quanto a biodiversidade, hoje tão em voga nas discussões, publicações e eventos científicos organizados por pesquisadores e até mesmo agentes da política governamental.
Na verdade, os geocientistas do mundo todo estão reconhecendo que o desenvolvimento do conhecimento geocientífico com o "olhar para a sociedade" é fundamental para o aproveitamento dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentado de qualquer nação, e que seu papel, como profissionais, tem uma responsabilidade muito maior do que a sociedade estima e os próprios profissionais da área reconhecem.
Para mais detalhes sobre o 34º Congresso Internacional de Geologia acesse: www.34igc.org. Além de cangurus, a Austrália tem uma geologia fantástica, muito semelhante à do Brasil, com imensos depósitos minerais, uma paisagem fascinante, cidades moderníssimas, com destaque para Sidney, Brisbane, Perth e Hobart, um povo extremamente simpático e a vontade de acolher com carinho os visitantes, sejam eles geólogos e seus acompanhantes ou não. A consulta à página acima indicada poderá influenciar em sua participação no 34º IGC: uma aventura geológica no país dos Cangurus.

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